sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dia destes resolvi pela primeira vez checar os índices estatísticos de acesso a este blog e descobri, estarrecida, que tenho leitores em vários países do mundo. Leitores em várias partes do mundo... que legal! Na verdade, antes de ser tocada por essa curiosidade eu achava sinceramente que só eu mesma e mais duas ou três amigas mui queridas líamos com certa assiduidade os escritos dessa minha investida literária. Mas não; temos companhia. Já fui lida em Hong Kong, na Ucrânia e na França dentre outros, mas meu maior público até agora está nos Estados Unidos, seguido da Holanda e o Brasil em terceiro. Que maravilha, leitores internacionais! Que engraçado também. Imagino que a maioria seja de brasileiros, mas quem sabe? Pode ser tanta gente diferente...
O número de acessos ainda é bem modesto, devo admitir, só que maior do que eu imaginava. Bem, como disse ali atrás, eu imaginava que só umas poucas pessoas, pouquíssimas mesmo, já tivessem passado por aqui. Mas não é assim e aí veio uma outra curiosidade que eu também nunca tive antes: quem me lê? Como eu achava que não havia leitores fora aquelas poucas amigas, eu, quando escrevia, escrevia me sentindo solta e só. De repente, isso mudou. Esses números, meros números, revelaram outra dimensão de ser escritor que até então eu não tinha percebido. Ser escritor não só para o desejo e vocação de ser escritor, mas também para o desejo de servir o desejo do leitor de ser leitor.
Pela primeira vez em minha vida vejo as coisas nesses termos: escrevemos porque existe quem precisa ler antes mesmo de alguém que precisa escrever. Escrevemos porque antes houve alguém que precisou ler, escutar, entender. Se existe uma vocação para escrever, é porque lhe corresponde uma vocação para ler. Lemos o mundo, as pedras, as estrelas, as estações. Quando encontramos um padrão de marcas, de signos, percebemos um ritmo e um enredo. Ali, descobrimos uma linguagem, uma escritura, um significado. Então, lemos primeiro, lemos na alma, na mente, no coração. Ao escrevermos, estamos formatando um mundo escriturado a partir de nossa percepção e imaginação. É preciso ler o mundo, ler os povos, ler as eras... e só então escrever.
O mundo existe pleno e redondo, e ali esperam, pacientes e devotados, os leitores. Os leitores esperam alguém que lhes escreva, que venha dizer a eles do que leram no mundo, alguém que escreva, que relate, que marque idéias que o leitor as tem também, mas que as vezes não consegue expressar. Ou consegue, mas tem poucos interlocutores. Ou ainda quando consegue e tem bastante interlocução. Leitores, em geral, estão aptos a também serem escritores.
O blog é um sistema que permite essa justaposição, seja no comentário do leitor, seja através das redes conectivas, que permitem lincar vários blogs e outros sites. O blog é um fenômeno editorial dos mais legais e deixa bem claro que somos muito, muito leitores. O mundo é uma leitura, leitura de mundo, leitura de blog. Leitores pelo mundo afora em pouco tempo... Um público extenso aqui, outro restrito ali e, de repente, os leitores formam um todo significativo.
O escritor volta às origens, entrega-se ao compromisso com a leitura. A escrita de si pela leitura do outro. Escrever não só para dar vazão a seu mundo interior, povoado de imaginação, beleza e poética. Mas escrever para dar acolhida ao mundo exterior, à leitura de mundo do mundo, ouvir as vozes, atentar-lhes o estilo, o modo de dizer, de se expressar. E assim, aberto e acessível, cheio de si e do mundo, o escritor poder criar sua escritura, que no mundo já tem leitor.
Enfim, gostei bastante da estatística e vou continuar observando, enquanto sonho e imagino, indago e desejo saber: qual leitura é preciso aqui escrever?
 
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