Dia destes eu pensava: por que estamos em geral tão hostis uns com os outros? Você abre jornal [entenda-se, conecta a rede] e aí...
atriz apanhou de ator
ator bateu em camareira
torcedor agrediu treinador
homem arremessa mulher e filho
caramba, que merda se tornou o noticiário...
li que numa das ótimas estatísticas americanas eles descobriram que nos EUA a criminalidade havia decaído nos últimos anos. Apesar disso, esse tema foi o que mais cresceu na mídia no mesmo período.
Por que esse tema cresceu num certo espaço de exposição de pedaços da realidade, a tal da mídia? Se fôssemos dizer em linguagem jornalística, poderíamos perguntar: por que essa pauta?
Até o Kotscho falou outro dia de certa celebridade e o maremoto de exposição a que estava submetida e frequentemente numa sintonia de agressividade, essa a tônica romântica fatal dos tempos de hoje.
Bem, de tempos em tempos passo tempos sem perder meu tempo, precioso tempo, diante do tolo tempo dos noticiários. Temos que ver, claro. E temos que não ver também. Não ver e buscar ver outras visões.
De tempos em tempos penso nisso e não quero ver as tenebrosas faces da humanidade. Quero me entregar aos pensamentos iluminados e floridos, faces também da humanidade. Quero entregar-me à calmaria e a não competição. Quero e vou no ritmo das estrelas, num céu onde quase já não são mais vistas, tamanha a intensidade luminosa que nós, humanos, produzimos na Terra, esse tão lindo e simpático astro universal, esse planeta.
De tempos em tempos gostaria de apenas permanecer no Tempo, deus supremo do infinito. Naquela divindade, o Tempo. Sagrado Tempo.
Mas que nada. Sai da minha frente que eu quero passar. Porque este samba está animado e o que eu quero, meu senhor, minha senhora, é só sambar.
É tempo de pensar que temos na veia muita raça, devemos saber ser diferente, porque a gente tem muita raça, raça de toda cor. Até da raça negra. Por isso, o que eu quero é só sambar...
Só sambar,
sambar só.
Sambar numa nota só.
Samba no pé.
Sambar no pé
Sem dar nó no pé.
Porque hoje é dia
de pensar negro
Hoje é dia de pensar negro
Hoje é dia de amar negro
Hoje é dia de consciência
De consciência de negro
Lembrar desse cheiro bom na nossa terra
Essa malícia pura dengosa safada gostosa
Malemolência pura
Tudo ciência, pura ciência
De quem soube amenizar
a dor
nas costas rubras em cascatas
E ficar aqui
E ficar negro aqui
Num Brasil tão neguinho assim
Tão lindinho assim
Epa, peraí, deixa eu ver na tv
o que é que se vai dizer
deste dia
Mais um
De consciência
Negra
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
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sábado, 15 de novembro de 2008
Dia destes percebi petrificada que uma certa pedra que enfeita meu lar, uma ágata azul, outra coisa não era senão o olho de algum ser extinto no tempo, o olho de algum animal que viveu algum dia por aqui, no planeta Terra. Que visão encantadora! Devo mesmo admitir que foi um dos momentos mais profundos e intensos de minha vida nestes últimos tempos. Então, deixei-me embalar por esta percepção, acreditando, sim, profundamente, que aquilo que eu olhava e que parecia olhar para mim fora um dia um ser vivo.
De verdade, não sei se aquilo foi mesmo um olho algum dia, mas que parecia, parecia. Na verdade, vi como se fosse um olho de pássaro. Ao pensar em pássaro, pensei que pudesse ter sido o olho de um dinossauro voador. Assim parecia, desses modos, essas possibilidades.
O que me encantava mesmo era simplesmente pensar, acreditar: isso que me olha e que eu vejo é uma pedra, que foi um dia um olho num animal. Um animal somente possível aqui na Terra, paraíso perdido no espaço...
Sob o encantamento destes pensamentos senti-me, por diluído instante, arremessada ao tempo daquele animal. E naquele momento, com nos filmes em que passado e presente vão e vem e se misturam, tive a sensação de que aquele bicho estava me vendo. De verdade. Naquele momento, exato momento, que pareceu um longo tempo... A profundidade daquela pupila como uma passagem pelo tempo, uma abertura para ver as coisas da Terra como outras coisas. E se encantar.
Mas aí logo estava eu aqui de volta, convencida pela razão a pensar noutras coisas, noutras pessoas. Ocorreu-me ter lido em algum lugar alguém dizer mais ou menos assim: que as rochas são seres que sonham o mundo. E aí, já convencida de que a pedra podia estar viva, sonhando o mundo, pensei: ah, eu outra coisa não sou que o sonho da pedra, que por sua vez foi olho de pássaro noutro tempo. Ou de dinossauro.
Esses momentos na vida (não sei se acontece com todo mundo) em que temos a sensação de ter mudado de dimensão por instantes, são momentos muito curiosos. Eles são uma mistura de extrema velocidade e absoluta letargia. Quando se é tragado pelo negro, a sensação é de que nada mais será visto. Mas de repente, parece que grandes porções de luz surgem, tanta, muito clara, que chega dói nos olhos. Mas aí também parece que não é nos olhos que dói, pois não é mesmo o olho que vê, mas a alma. Nesses momentos, quando temos a sensação de ter mudado de dimensão, sentimos lampejos de alma, arrebatamentos de espírito. Coisa rara muito rara para a sociedade contemporânea, pesada, metálica, ruidosa, acelerada, descontente, confusa.
Esses momentos noutras dimensões (não sei se isso acomete todo mundo) são, para mim, momentos gostosinhos de viver. Pena que são frutos do acaso. Pelo menos minha razão fica ali tentando perceber quais condições estavam dadas para essas transições tempo-espaço terem se manifestado. Mas ela ainda não sabe. Pelo que sei, a Ciência já sabe alguma coisa sobre isso, embora não consiga explicar. Deve ser mesmo difícil de explicar, porque a razão tem que buscar uma fórmula que comporte o espírito. Qual será essa fórmula?
Ah, uma pedra... azul... linda... Cristalina nuns pontos, opaca noutros. Feita de claros e escuros. Tons compactos, tons rajados. Uma pedra, simples pedra, só isso mesmo. Ali, enfeitando uma vida humana, mas provocando-lhe também. O que será que sabe a pedra do que faz a mim? Não deve saber nada; a pedra deve ser mesmo como disse aquele alguém: ela só sonha o mundo. E no sonho dela ela nem me sonha... nem me vê... não sabe nem vai saber que estou ali matutando tanta idéia, que eu estive ali quando e onde aquela nem era pedra. Ela sonha o mundo dela. E, vai ver, no mundo dela sonhado não estou eu nem está você. E eu e você, aqui, agora, nos perdendo em pensamentos por causa dela, aquela pedra, que acho, já nem sei, que fora um olho.
Mas ainda bem que tem a pedra. Sonhando ou acordada, ou morta ou viva, seja como for. Ela fica ali, embelezando, provocando, dando idéia.
E como me divertiram as idéias que brotaram daquele encontro atemporal entre eu e a pedra olho de lindo azul! Pareceu um sonho, vislumbre do espírito...
De verdade, não sei se aquilo foi mesmo um olho algum dia, mas que parecia, parecia. Na verdade, vi como se fosse um olho de pássaro. Ao pensar em pássaro, pensei que pudesse ter sido o olho de um dinossauro voador. Assim parecia, desses modos, essas possibilidades.
O que me encantava mesmo era simplesmente pensar, acreditar: isso que me olha e que eu vejo é uma pedra, que foi um dia um olho num animal. Um animal somente possível aqui na Terra, paraíso perdido no espaço...
Sob o encantamento destes pensamentos senti-me, por diluído instante, arremessada ao tempo daquele animal. E naquele momento, com nos filmes em que passado e presente vão e vem e se misturam, tive a sensação de que aquele bicho estava me vendo. De verdade. Naquele momento, exato momento, que pareceu um longo tempo... A profundidade daquela pupila como uma passagem pelo tempo, uma abertura para ver as coisas da Terra como outras coisas. E se encantar.
Mas aí logo estava eu aqui de volta, convencida pela razão a pensar noutras coisas, noutras pessoas. Ocorreu-me ter lido em algum lugar alguém dizer mais ou menos assim: que as rochas são seres que sonham o mundo. E aí, já convencida de que a pedra podia estar viva, sonhando o mundo, pensei: ah, eu outra coisa não sou que o sonho da pedra, que por sua vez foi olho de pássaro noutro tempo. Ou de dinossauro.
Esses momentos na vida (não sei se acontece com todo mundo) em que temos a sensação de ter mudado de dimensão por instantes, são momentos muito curiosos. Eles são uma mistura de extrema velocidade e absoluta letargia. Quando se é tragado pelo negro, a sensação é de que nada mais será visto. Mas de repente, parece que grandes porções de luz surgem, tanta, muito clara, que chega dói nos olhos. Mas aí também parece que não é nos olhos que dói, pois não é mesmo o olho que vê, mas a alma. Nesses momentos, quando temos a sensação de ter mudado de dimensão, sentimos lampejos de alma, arrebatamentos de espírito. Coisa rara muito rara para a sociedade contemporânea, pesada, metálica, ruidosa, acelerada, descontente, confusa.
Esses momentos noutras dimensões (não sei se isso acomete todo mundo) são, para mim, momentos gostosinhos de viver. Pena que são frutos do acaso. Pelo menos minha razão fica ali tentando perceber quais condições estavam dadas para essas transições tempo-espaço terem se manifestado. Mas ela ainda não sabe. Pelo que sei, a Ciência já sabe alguma coisa sobre isso, embora não consiga explicar. Deve ser mesmo difícil de explicar, porque a razão tem que buscar uma fórmula que comporte o espírito. Qual será essa fórmula?
Ah, uma pedra... azul... linda... Cristalina nuns pontos, opaca noutros. Feita de claros e escuros. Tons compactos, tons rajados. Uma pedra, simples pedra, só isso mesmo. Ali, enfeitando uma vida humana, mas provocando-lhe também. O que será que sabe a pedra do que faz a mim? Não deve saber nada; a pedra deve ser mesmo como disse aquele alguém: ela só sonha o mundo. E no sonho dela ela nem me sonha... nem me vê... não sabe nem vai saber que estou ali matutando tanta idéia, que eu estive ali quando e onde aquela nem era pedra. Ela sonha o mundo dela. E, vai ver, no mundo dela sonhado não estou eu nem está você. E eu e você, aqui, agora, nos perdendo em pensamentos por causa dela, aquela pedra, que acho, já nem sei, que fora um olho.
Mas ainda bem que tem a pedra. Sonhando ou acordada, ou morta ou viva, seja como for. Ela fica ali, embelezando, provocando, dando idéia.
E como me divertiram as idéias que brotaram daquele encontro atemporal entre eu e a pedra olho de lindo azul! Pareceu um sonho, vislumbre do espírito...
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Dia destes vibrei, como muitos, a escolha do primeiro negro para ser presidente de uma grande nação do ocidente. Que coisa tola, vibrar porque uma certa cor e textura e cheiro de pele reveste o todo ser de uma pessoa! De fato, neste caso específico, essa vibração é mesmo uma tolice, mas não uma tolice qualquer. De fato, neste caso específico, não é qualquer negro. Falo, claro, de Barack Obama.
Esse negro não é qualquer negro porque é um negro dos Estados Unidos da América, a toda poderosa e branca e impiedosa e imperialista nação líder do mundo no século 20. Mas Barack Obama é um fenômeno do século 21, o século em que outras nações e outros povos e outras faces aparecem para nos dizer Hello!
Que sorte e satisfação para nós, brasileiros, ter um presidente do sertão, um presidente da roça, um presidente da metrópole, um presidente metalúrgico, um presidente ativista, um presidente secundarista. Sorte das grandes, pois restitue a toda uma nação, mesmo que parte dela ainda não perceba, a dignidade de ser brasileiro. Pois o brasileiro na média é um pouco tudo que o presidente Luís Inácio Lula da Silva é. Uma cara nova dizendo Hello! para o mundo. É claro que ele tem muitas limitações, como os têm os presidentes indígenas, as presidentes mulheres e, agora, o presidente negro dos Estados Unidos da América deverá em alguma dimensão manifestar.
O que esses novos rostos dizendo Hello! para o mundo têm além de suas possíveis limitações, como quaisquer outros dirigentes de qualquer outro tempo? Será que essas faces novas não são apenas outros modos de ser a mesma coisa? Barack Obama, por exemplo, é um negro, um afro-americano ou um americano? Qual Obama vai falar mais alto a cada ato do presidente dos Estados Unidos da América? Ele será um presidente com reminiscências da Mãe África ou será um presidente que pensa como McCain, “Não vamos nos render”?
Por alguma razão que não consigo compreender ainda, sinto coisas novas no ar da humanidade. Mas tento não me deixar entorpecer até o esquecimento com essa onda de novos rostos entre os principais dirigentes e lideranças do mundo. Um presidente norte-americano será sempre e antes de tudo um presidente norte-americano típico: poderoso, branco, impiedoso, imperialista, seja homem ou mulher, branco ou negro ou índio ou pardo, seja o que for. Ou não?
O século 20 assistiu a coisas espantosas, coisas que continuam espantando a nossa imaginação ainda hoje pela televisão, pelos jornais, pela internet. Mas esse aparato comunicativo também tem trazido à tona novas idéias, outras possibilidades. A campanha de Obama floresceu na internet, grande parte da nova geração de eleitores dos poderosos Estados Unidos da América são de jovens de origem negra e latina. Talvez a novidade sentida e não compreendida por mim tenha um pouco a ver com isso. Os Lula, Barack, Hugo, Evo e outros não são a grande novidade. A novidade é quem não se vê. Por exemplo, esses novos eleitores americanos.
Talvez a novidade seja a voz que se faz ouvir fora da imprensa. Que fantásticas as redes virtuais que debatem e argumentam sobre seus possíveis presidentes, sobre propostas, sobre visão de futuro para um país e para o mundo! Que legal saber que a mensagem das grandes redes de notícia já não são o único parâmetro de informação que se têm. Isso talvez seja algo de novo no ar da humanidade, não sei. Pode ser que amanhã ou depois a gente veja Obama fazendo umas coisas de arrepiar, no melhor estilo yankee. Pode ser, afinal ele é americano, ele é yankee. Por isso, tento me manter sóbria em meio a onda da novidade que embriaga corações por todo o canto por causa de Obama.
O que sei é que realmente estou vibrando pela simples razão de Barack Obama ser negro, neguinho, com família na África, povo simples, de pé no chão, como sempre cantando e dançando para marcar algo grande, algo pelo que vale a pena eles vibrarem também.
Amanhã, depois, quem sabe como será? Mas nestes tempos nascentes do século 21 ver isso acontecer é muito bom, é bom pelos povos negros, que tanto sofreram nos últimos séculos, é bom para os povos indígenas, que não sofreram menos, ao ponto quase de extinção, é bom para mulheres, que ainda amargam também muitas dores, muito sofrimento.
Por isso tudo que para nós, brasileiro, ainda que a gente não se dê conta totalmente disso, é uma alegria ter o Lula presidente. Porque com pessoas assim a gente se lembra que tem valor, que nem tudo que é bom nasceu na Europa ou nos Estados Unidos, e mesmo que tenha nascido lá, não é superior aos demais. O mundo tá abarrotado de turbulências e contradições e não basta ser negro ou americano, mulher ou nordestino, isso ou aquilo para aquietar um pouco o coração dessa recém-nascida humanidade. Humanidade? Será?
Ah, deixa isso para quem estiver aí amanhã ou depois de amanhã. Por hoje, vamos ficar na vibração de perceber que alguma coisa aconteceu e que está tudo assim tão diferente. Mesmo que igual.
Esse negro não é qualquer negro porque é um negro dos Estados Unidos da América, a toda poderosa e branca e impiedosa e imperialista nação líder do mundo no século 20. Mas Barack Obama é um fenômeno do século 21, o século em que outras nações e outros povos e outras faces aparecem para nos dizer Hello!
Que sorte e satisfação para nós, brasileiros, ter um presidente do sertão, um presidente da roça, um presidente da metrópole, um presidente metalúrgico, um presidente ativista, um presidente secundarista. Sorte das grandes, pois restitue a toda uma nação, mesmo que parte dela ainda não perceba, a dignidade de ser brasileiro. Pois o brasileiro na média é um pouco tudo que o presidente Luís Inácio Lula da Silva é. Uma cara nova dizendo Hello! para o mundo. É claro que ele tem muitas limitações, como os têm os presidentes indígenas, as presidentes mulheres e, agora, o presidente negro dos Estados Unidos da América deverá em alguma dimensão manifestar.
O que esses novos rostos dizendo Hello! para o mundo têm além de suas possíveis limitações, como quaisquer outros dirigentes de qualquer outro tempo? Será que essas faces novas não são apenas outros modos de ser a mesma coisa? Barack Obama, por exemplo, é um negro, um afro-americano ou um americano? Qual Obama vai falar mais alto a cada ato do presidente dos Estados Unidos da América? Ele será um presidente com reminiscências da Mãe África ou será um presidente que pensa como McCain, “Não vamos nos render”?
Por alguma razão que não consigo compreender ainda, sinto coisas novas no ar da humanidade. Mas tento não me deixar entorpecer até o esquecimento com essa onda de novos rostos entre os principais dirigentes e lideranças do mundo. Um presidente norte-americano será sempre e antes de tudo um presidente norte-americano típico: poderoso, branco, impiedoso, imperialista, seja homem ou mulher, branco ou negro ou índio ou pardo, seja o que for. Ou não?
O século 20 assistiu a coisas espantosas, coisas que continuam espantando a nossa imaginação ainda hoje pela televisão, pelos jornais, pela internet. Mas esse aparato comunicativo também tem trazido à tona novas idéias, outras possibilidades. A campanha de Obama floresceu na internet, grande parte da nova geração de eleitores dos poderosos Estados Unidos da América são de jovens de origem negra e latina. Talvez a novidade sentida e não compreendida por mim tenha um pouco a ver com isso. Os Lula, Barack, Hugo, Evo e outros não são a grande novidade. A novidade é quem não se vê. Por exemplo, esses novos eleitores americanos.
Talvez a novidade seja a voz que se faz ouvir fora da imprensa. Que fantásticas as redes virtuais que debatem e argumentam sobre seus possíveis presidentes, sobre propostas, sobre visão de futuro para um país e para o mundo! Que legal saber que a mensagem das grandes redes de notícia já não são o único parâmetro de informação que se têm. Isso talvez seja algo de novo no ar da humanidade, não sei. Pode ser que amanhã ou depois a gente veja Obama fazendo umas coisas de arrepiar, no melhor estilo yankee. Pode ser, afinal ele é americano, ele é yankee. Por isso, tento me manter sóbria em meio a onda da novidade que embriaga corações por todo o canto por causa de Obama.
O que sei é que realmente estou vibrando pela simples razão de Barack Obama ser negro, neguinho, com família na África, povo simples, de pé no chão, como sempre cantando e dançando para marcar algo grande, algo pelo que vale a pena eles vibrarem também.
Amanhã, depois, quem sabe como será? Mas nestes tempos nascentes do século 21 ver isso acontecer é muito bom, é bom pelos povos negros, que tanto sofreram nos últimos séculos, é bom para os povos indígenas, que não sofreram menos, ao ponto quase de extinção, é bom para mulheres, que ainda amargam também muitas dores, muito sofrimento.
Por isso tudo que para nós, brasileiro, ainda que a gente não se dê conta totalmente disso, é uma alegria ter o Lula presidente. Porque com pessoas assim a gente se lembra que tem valor, que nem tudo que é bom nasceu na Europa ou nos Estados Unidos, e mesmo que tenha nascido lá, não é superior aos demais. O mundo tá abarrotado de turbulências e contradições e não basta ser negro ou americano, mulher ou nordestino, isso ou aquilo para aquietar um pouco o coração dessa recém-nascida humanidade. Humanidade? Será?
Ah, deixa isso para quem estiver aí amanhã ou depois de amanhã. Por hoje, vamos ficar na vibração de perceber que alguma coisa aconteceu e que está tudo assim tão diferente. Mesmo que igual.
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