domingo, 28 de dezembro de 2008

Dia destes eu tentava recordar do meu envolvimento com blog. Como foi que tudo se deu? Onde foi mesmo que começou esse interesse? Quando foi que isso me acometeu? Ah, acho que já me lembro.
Corriam os primeiros anos do terceiro milênio e o mundo começava a trabalhar de maneira mais intensa e rotineira com tecnologias na educação. Começava uma significativa mudança no mundo escolar. Não só pela tecnologia; não, não. Mas também por alguns importantes valores educacionais assim reconhecidos por muitos professores, alunos e comunidades de estudiosos daqueles dias. A autonomia de publicação era um desses valores.
Naqueles dias, todo mundo buscava aprender de tudo um pouco e de cada pequena porção extrair ainda um pouco mais de conhecimento e compartilhar o conhecimento acumulado, trazendo dessa partilha um pouco mais de renovado conhecimento para prosseguir compartilhando. Os caminhos eram muitos, mas em geral estava todo mundo conhecendo sobre síncrono e assíncrono, virtual, digital, real, on line, off line, interface e outros que tais. Todo mundo, claro, força de expressão. Mas muita, muita gente, em todo o mundo, no mundo todo.
Agora, por que usar essas imagens com os verbos expressos no tempo passado se, a rigor, esse tempo ainda está aqui, ainda é o presente? Estamos todos ainda na fase revolucionária desse fenômeno mutacional!
Bem, os verbos expressos no tempo passado vêm para enfatizar a ligeireza dessa mudança. Num sentido geral, ainda estamos aprendendo essa nova linguagem, hipermidiática; mas no curto espaço de tempo de uns cerca de 15 anos passados para cá, muita coisa já veio, já foi. Algumas foram e sumiram mesmo. Outras vieram, mudaram e ficaram e continuam mudando. E outras surgiram, e outras estão ainda por vir.
Tudo isso e mais um pouco veio bater nas salas de aula, aula que pode ser presencial ou virtual. Ou ambas. Com a internet as opções didáticas se proliferaram. Fórum, chat, lista de discussão, blog.
Hum... blog... O que é isso mesmo?
Então, inspirada em saber para ensinar, fui buscar saber pra que servia e como funcionava o tal do blog. Eu lia um bocado nessa época e no setor em que atuava naqueles dias, uma das ferramentas que mais se pesquisava era o fórum, que de fato é excelente para a construção de diálogos e reflexões. Apesar disso, o blog exercia uma especial atração sobre mim; eu não sabia ainda como, mas eu sabia que estava diante de uma interessante e muito nova opção comunicacional, uma opção que, a um só tempo, poderia nos possibilitar autonomia e coletividade. Uau!!!
Eu me indagava sobre essas possibilidades, organizando alguns registros sobre blog, inclusive a descoberta de cursos em nível de pós-graduação. Quando li isso, não sei bem porquê, tive certeza de que deveria estudar sobre blog. Então, eu comecei.
Foi por essa época que recebi convite para lecionar a disciplina Comunicação Digital na Universidade, no curso de Comunicação Social. Assim que vi a ementa, vi o curso inteiro. Bem entendido: inteiro para aquele momento. E para aquele momento e para os anos que se seguiram, eu sabia que ia usar blog e sabia para quê e sabia como. Eu sabia que ali estaria uma oportunidade muito adequada para fazerem confluir ideais profissionais de comunicador com ideais educacionais, tudo sob o princípio da autonomia.
Como eu precisasse aprender e ensinar sobre blog, mas ainda não dispunha de bom cabedal histórico e contextual, convidei para uma palestra em minha turma Rosana Pavarino, já blogueira naqueles dias e também professora na universidade. Rosana nos ensinou muitas coisas naquele dia. E disse algo muito especial e que me chamou particular atenção. Ela disse sobre o desconforto de estar em exibição, de tornar-se um ente público, cuja privacidade tornava-se de súbito algo de posse coletiva. E ela falou de como estamos despreparados para isso. Aquilo de fato me chamou atenção; mas, por alguma razão, achei que fosse exagero. Logo descobri que ela, blogueira, estava cheia de razão, pois sabia do que falava, falava de blog. Logo descobri que o que Rosana Pavarino, blogueira, nos revelava era de fato novo, estranho, profundo.
Construir o primeiro blog – no caso, este Dia Destes – foi uma gestação longa e dolorosa, pois tinha muito a ver com aquela estranha sensação que tive quando ouvi as palavras de Rosana: a exposição pública é dolorosa.
Mas eu tinha também outras dúvidas, mais ou menos técnicas e nem por isso menos estéticas. Uma delas quanto a colocar ou não comentários, “interagir” – ô, palavra chata – ou não com leitores; moderar ou não os comentários; cadastrar ou não interlocutores. Puxa, publicar é ter que tomar decisões e tomar decisões e responder por elas é da ordem da autonomia. Bem, as possibilidades são inúmeras. Aqui, no Dia Destes, decidi meramente deixar que os comentários fossem livres, sem eu ter que responder cada qual potualmente, o que considero em geral o pior tipo de interatividade. Mas não vou explicar esse motivo hoje, pois quero me deter a outros aspectos. Quero ainda falar dos comentários.
Para alguns pouco conhecedores do fenômeno blog, só seria possível falar em blog se houver um sistema de comentários disponibilizado para os internautas; sem isso, no blog, sentenciam. Acontece que esse demanda e solução só veio a se manifestar mais tarde, quando os servidores de blog já eram muito comuns. Os comentários são apenas mais uma face da tão comentada interatividade. Alguns são mais ortodoxos, acreditam que o sistema de comentários tem que ser ofertado e o “dono” do blog tem que responder todos os comentários postados. Aff...
De fato, tendo a concordar com o Kotscho, que, ao lançar o seu Balaio, disse que se dispensava o dever e o direito de responder os comentários. Ele não queria ser a voz principal e indispensável dos debates que, por ventura, se desenrolassem naquele ciberporto. A mesma intenção foi a que tive no sistema comentário deste Dia Destes. O que poderá ser diferente, quem sabe, nalgum outro blog que eu venha a criar.
A essa altura, talvez você me pergunte: mas por que esse tema? Faltou assunto? Afinal, é muito comum confundir auto-referência com vazio discursivo. Mas em minha defesa, eu asseguro: falo de blog nesta época porque coisas muito legais estão acontecendo no mundo e uma das coisas que está possibilitando essas coisas muito legais de acontecerem é o blog. Uma dica, o blog Generation Y.
O Generation Y é de autoria de Yoani Sanchez, uma cubana que ganhou o concurso Bobs (Best of Blogs) de melhor blog do ano, promovido por uma revista alemã. Essa referência eu descobri no blog do Luís Nassif, que por sua vez descobriu no blog do Jorge Pontual. Que legal isso, não é? Um blog que leva a outro que leva a outro que leva a outro, sem ninguém preocupado com a tola idéia do furo de notícia. Pelo contrário, todo mundo querendo falar de algo que possa ser legal. Como esta hermana cubana, segundo a Times, uma das pessoas mais influentes em 2008 – isso também li no blog do Nassif. Uma mulher que nos fala da Ilha, aquela linda e gloriosa Ilha que ainda não tem certeza se pode deixar sua voz ecoar pelo mundo. Claro que pode. Fala Yoani, fala Cuba. Queremos ouvir vocês.
Ah, sim, mas por que é mesmo que falo de blog no blog?
Acho que foi por causa do Nassif, da Yoani, ou talvez por causa da letra Y do meu nome, também grego na origem. Sei lá porque foi... Só sei que, se não fosse pelo blog, acho que nem eu, nem você teríamos lidos essas linhas. Nem agora, nem nunca, nem em lugar nenhum.
Ah, sim: reparou os links no texto? Isso acho muito peculiar de um sistema blog, por falar em blog. Então, a partir de hoje, modifico a estética do Dia Destes, ancorando aqui referências possíveis das minhas idéias. E reparou ali do lado, os links de blogs de amigos, chegados e afins, o bross blogs? Pois é, outros lugares, outros blogueiros, para mim, para você, para o Nassif, a Yoani, para Cuba, para os blogueiros do mundo inteiro. E para quem lê blogs também.
Blog, uma idéia bem legal!
 
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