Dia destes parei para ouvir mais uma vez Milton Nascimento cantar. Enquanto ele cantava, eu cantarolava com ele. Cantarolei uma coisa, cantarolei outra e de repente deparei-me com essa idéia:
eu
caçador de mim
Ouvindo aquela voz encantadora de Milton e ali assim pensando, súbito a idéia pareceu-me fascinante. Eu, caçador de mim. O que seria isso? Como seria isso?
Somos uma coletividade muito voraz, como caçadores astutos. Em nosso dia a dia, mesmo em epicentros de urbanidade, gostamos de caçar, caçar os outros, caçar oportunidades, caçar uma aparição vultosa, caçar parecer ser alguma coisa. Caçar, ainda entendemos disso. Entendemos de caçar algo que está fora de nós próprios, algo que é diferente de nós. Caçadores de outros. Mas o que seria, então, ser caçador de si mesmo? Eu imaginei assim...
eu, caçador de mim
Eu me caçar
Eu me procurar
Eu me observar
Observar com calma com vagar com redobrada atenção
Resoluta atenção
eu, caçador de mim
Caçador que preciso caçar
E eu sou minha presa
Vou observar-me minha presa
Pobre presa,
Golpeá-la
Dominá-la
Devorá-la
Ela
Eu
Minha presa
Eu,
Caça dor de mim
Eu,
Prende canções em mim
Eu,
Entrega paixões infinitas a mim
eu, caçador de mim
foge das armadilhas
sonha pouco
e sente
eu, caçador de mim
domingo, 12 de outubro de 2008
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terça-feira, 7 de outubro de 2008
Dia destes recebi um spam de pessoa mui fidedigna, querida amiga minha. Era um vídeo sobre a obsessão por certo padrão de beleza que "sequer existe", como diz o vídeo. Então pensei: que padrão quero ter? E rápido como o vento, o padrão que me cabe - assim o creio - revelou-se a mim. Quero ser uma vênus!
Sim, uma vênus. Perfeito. Mas qual?
A Vênus de Milos, envolta em mistério ou a Vênus de Boticelli, muito linda muito conhecida muito desejada ou a Vênus que esta inspirou, a Vênus de Apelles. Ou antes ainda a Vênus de Willendorf, que alguns preferem chamar Mulher de Willendorf porque não aceitam a denominação Vênus para uma imagem tão volumosa do ideal de beleza feminina.
Ou outras muitas outras Vênus que podem ser lembradas, embora ao evocar cada uma evoca-se também algo mais. A de Willendorf é assim chamada devido à localidade onde foi encontrada. A de Boticelli porque foi ele quem pintou o quadro O Nascimento de Vênus. Mas seria possível ser apenas uma vênus, uma absoluta vênus, uma meramente vênus? Uma vênus que não fosse nem dali nem de ninguém? Uma vênus em si?
Noutro dia destes eu falava sobre o corpo. E aqui voltam um pouco aquelas questões: como nos livrarmos dos desejos enlouquecedores dos temores das vergonhas e olharmos nosso corpinho com mais aceitação? É só um corpo os bilhões de corpos humanos que existem sobre o planeta. E antes mesmo que a gente tenha noção do nosso corpo, já tem alguém dizendo: você é muito gordo, você é muito magro; você como muito, você nunca come; pra vestir isso tem que estar sarado; por isso, engorde; por isso, emagreça; e essa ruga, que feia, tira!
Em que espelho pode se mirar uma Vênus qualquer para poder ser mesmo uma Vênus? Ou Vênus que é Vênus quase não se olha no espelho pois sabe que é Vênus? Toda linda, toda perfeita, uma deusa, uma Vênus.
Os estatísticos descobriram dia destes o que as mulheres, de um modo geral, sabem desde sempre: boa parte do tempo de nossas preciosas vidas femininas é aplicada diante de um espelho ou próximas a ele, cuidando de nossas belezas, de nossa venusiedade. As mulheres levam muito tempo se arrumando. Também os amantes sabem disso desde sempre, pois é clássica quase tradição a imagem do amante esperando a mulher terminar de se arrumar, sua mulher, sua vênus. Mas agora, graças à estatística. podemos saber quanto tempo é esse. Só que a questão não é essa, quanto tempo, pois as mulheres ainda vão gastar muito tempo com sua vaidade. E os homens também, afinal, começam a investir tempo nesse bom hábito, o de se cuidar e sentir maior bem estar. A questão é como ser uma Vênus perfeita, parecida com as lindas da passarela, da tela? Mas qual linda, se cada uma é de um jeito? E cada jeito mais jeitoso que o outro. Só que uma vênus que é vênus mesmo não vai querer ter isso ou aquilo de ninguém. Vai querer ter o seu, ser o seu. Seria assim ser em si uma Vênus?
Então, deve ser assim ser uma Vênus mera e absoluta: sentir-se bem e agraciada com o próprio corpo, com a própria estampa, seja ela como for gorda magra baixa alta isso e aquilo isso e aquilo. Tanto faz, contanto que a Vênus saiba-se linda e completa e perfeita, porque é uma Vênus. E possa dizer ou pensar ou mostrar ou ... o quanto é bela, o quanto faz-se mais bela a cada dia com o corpo que tem, o corpo perfeito da ponta do fio do cabelo até a ponta do dedo do pé. Toda perfeita, toda Vênus. Uma simples Vênus, mera e absoluta. Uma Vênus do cotidiano. Uma Vênus de si. Só uma Vênus. Uma Vênus só.
Uma Vênus.
Sim, uma vênus. Perfeito. Mas qual?
A Vênus de Milos, envolta em mistério ou a Vênus de Boticelli, muito linda muito conhecida muito desejada ou a Vênus que esta inspirou, a Vênus de Apelles. Ou antes ainda a Vênus de Willendorf, que alguns preferem chamar Mulher de Willendorf porque não aceitam a denominação Vênus para uma imagem tão volumosa do ideal de beleza feminina.
Ou outras muitas outras Vênus que podem ser lembradas, embora ao evocar cada uma evoca-se também algo mais. A de Willendorf é assim chamada devido à localidade onde foi encontrada. A de Boticelli porque foi ele quem pintou o quadro O Nascimento de Vênus. Mas seria possível ser apenas uma vênus, uma absoluta vênus, uma meramente vênus? Uma vênus que não fosse nem dali nem de ninguém? Uma vênus em si?
Noutro dia destes eu falava sobre o corpo. E aqui voltam um pouco aquelas questões: como nos livrarmos dos desejos enlouquecedores dos temores das vergonhas e olharmos nosso corpinho com mais aceitação? É só um corpo os bilhões de corpos humanos que existem sobre o planeta. E antes mesmo que a gente tenha noção do nosso corpo, já tem alguém dizendo: você é muito gordo, você é muito magro; você como muito, você nunca come; pra vestir isso tem que estar sarado; por isso, engorde; por isso, emagreça; e essa ruga, que feia, tira!
Em que espelho pode se mirar uma Vênus qualquer para poder ser mesmo uma Vênus? Ou Vênus que é Vênus quase não se olha no espelho pois sabe que é Vênus? Toda linda, toda perfeita, uma deusa, uma Vênus.
Os estatísticos descobriram dia destes o que as mulheres, de um modo geral, sabem desde sempre: boa parte do tempo de nossas preciosas vidas femininas é aplicada diante de um espelho ou próximas a ele, cuidando de nossas belezas, de nossa venusiedade. As mulheres levam muito tempo se arrumando. Também os amantes sabem disso desde sempre, pois é clássica quase tradição a imagem do amante esperando a mulher terminar de se arrumar, sua mulher, sua vênus. Mas agora, graças à estatística. podemos saber quanto tempo é esse. Só que a questão não é essa, quanto tempo, pois as mulheres ainda vão gastar muito tempo com sua vaidade. E os homens também, afinal, começam a investir tempo nesse bom hábito, o de se cuidar e sentir maior bem estar. A questão é como ser uma Vênus perfeita, parecida com as lindas da passarela, da tela? Mas qual linda, se cada uma é de um jeito? E cada jeito mais jeitoso que o outro. Só que uma vênus que é vênus mesmo não vai querer ter isso ou aquilo de ninguém. Vai querer ter o seu, ser o seu. Seria assim ser em si uma Vênus?
Então, deve ser assim ser uma Vênus mera e absoluta: sentir-se bem e agraciada com o próprio corpo, com a própria estampa, seja ela como for gorda magra baixa alta isso e aquilo isso e aquilo. Tanto faz, contanto que a Vênus saiba-se linda e completa e perfeita, porque é uma Vênus. E possa dizer ou pensar ou mostrar ou ... o quanto é bela, o quanto faz-se mais bela a cada dia com o corpo que tem, o corpo perfeito da ponta do fio do cabelo até a ponta do dedo do pé. Toda perfeita, toda Vênus. Uma simples Vênus, mera e absoluta. Uma Vênus do cotidiano. Uma Vênus de si. Só uma Vênus. Uma Vênus só.
Uma Vênus.
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Dia destes eu admirava encantada os volteios de uma fumaça. Assim como o fogo, seu aparentado, a fumaça é sempre uma novidade. E sempre um mistério. O que a contém que nos permite ver aquelas formas sempre mutantes, sempre únicas? O que a libera, permitindo ir aonde quiser?
A beleza da fumaça é um tema que vai e volta na literatura mundial. Literatura artística, literatura médica, literatura jornalística, literatura policial, literatura jurídica, literatura histórica, literatura. As falas da humanidade são muitas sobre a fumaça. E não deve ser à toa, já que boa parte de tudo que há outra coisa não é senão fumaça, expansão de matérias gasosas. O universo, até onde sabemos, é isso, a expansão de uma explosão, isto é, fumaça.
E a fumaça ela pode ser de tantas formas, feita de tantos diferentes elementos. Pode ser tóxica, pode ser enebriante, pode ser bela de se ver, pode ser terrificante, pode ser um susto, pode ser um alento. A fumaça pode ser o quiser.
Em alguns temas contemporâneos, a fumaça é sinal de risco. Durante muitos anos, os grandes e poderosos (idéia estranha, poder) jogaram mega toneladas de fumaça tóxica e nociva sobre populações inteiras, criando monstruosidades e grande sofrimento. O que aconteceu a esses poderosos? Nada exatamente. Ah, sim, talvez alguma multa, talvez algum tipo de retratação, algum tipo de responsabilidade assumida de ir mudando as condições para um estado melhor das coisas, já muito deterioradas, dando um tempo aos senhores da indústria. Quem aqui no Brasil não se lembra da terrível história de Cubatão, uma cidade assombrosa? Pessoas sofrendo muito, filhos nascidos incompletos, imprecisos. Um lugar falido pela ação de industriais, poderosos . E esse poder condenou gerações e gerações a um estado irretratável de ser. Não havia tempo que pudesse lhes ser concedido para irem mudando as coisas, pare voltarem a ser o que nunca haviam sido. A fumaça dali lhes deixara uma condição imutável. Pobres gerações.
A fumaça das queimadas também é assombrosa para todo o planeta. Todos sabem disso mais ou menos. Mas mesmo sabendo bem e sabendo muito, muitos plantadores, poderosos ou nem tanto, ainda preferem atear fogo para limpar o terreno, sabendo que essa limpeza resulte em grande sujeira ambiental. Fumaça terrível, condenando todos os povos e todas as gerações, mais ou menos, a intenso sofrimento, a terrível mal estar. E os poderosos? Bem, os poderosos...
Há também a fumaça das drogas. Lícitas ou ilícitas. Sabe-se que a fumaça do simpático cigarro envenenou gerações e gerações de usuários e isso com o claro conhecimento dos poderosos industriais brancos da indústria tabagista, esclarecidos pelo trabalho científico de pesquisadores acadêmicos. O poder do saber servindo ao poder do não-deixar-saber. Mas desde a primeira mordida na maçã, sabemos que aquilo que está velado, seja mais cedo seja mais tarde, irá se revelar. Os cigarros continuam lícitos, só que agora sabemos quão danosos são. Então, o encantado fumante assume sua porção de responsabilidade sobre se quer fumar, quanto e quando.
Fumar sabendo que pode até morrer é uma decisão, às vezes, estética (ah, os românticos e seus vapores), às vezes, política, às vezes religiosa. Sim, até religiosa, ou espiritual, se preferirem. Drogas vaporosas sagradas, colocando pessoas em contato com o divino, abrindo canais para comunicação com outras dimensões (ah, é, cientistas afinal “descobriram”: existem outras muitas dimensões).
Como é enigmática a fumaça, quanto ainda precisamos que se nos revele sobre seu poder, encantador e intenso. Com que gases e com que vapores podemos conviver? Porque viver sem fumaça parece mesmo humanamente impossível. A fumaça dos automóveis já quase não vemos, o que não significa que não estão ali, dissolvendo a atmosfera. A fumaça dos sprays, das fábricas, a fumaça do peido dos gados. Fumaças invisíveis ao nosso olhar, ao nosso limitado poder de ver, mas fumaça mesmo assim. Gases rodopiando noutros gases, desenhando formas no ar, gerando um outro mundo.
Ah, será muito grave ou nenhum pouco sentar ao redor de uma fogueira com um bom punhado de amigos e ver aquela beleza? E acender um incenso? E se vaporizar com delicioso perfume, quiçá français? E conceder a um noviço sacerdote o êxtase de fumar uma erva sagrada? E um cigarrinho, de palha ou do que quiser, um charuto, um cachimbo até, depois de uma jornada de trabalho? O cachimbo da paz, como se usa dizer. Um cachimbo e a paz. Fumaça e contemplação, fumaça e aceitação, fumaça e comunhão.
Ah, fumaça, para onde quer ainda me levar com meu pensamento? Pára, sossega, deixa estar. Devolve-me a ilusão da clareza, do sólido, do concreto, do que se pode tocar. Me deixa quieta. E, já que vai, aproveita e leva contigo um pouco destes pensamentos e espalha no ar. Preciso desanuviar.
A beleza da fumaça é um tema que vai e volta na literatura mundial. Literatura artística, literatura médica, literatura jornalística, literatura policial, literatura jurídica, literatura histórica, literatura. As falas da humanidade são muitas sobre a fumaça. E não deve ser à toa, já que boa parte de tudo que há outra coisa não é senão fumaça, expansão de matérias gasosas. O universo, até onde sabemos, é isso, a expansão de uma explosão, isto é, fumaça.
E a fumaça ela pode ser de tantas formas, feita de tantos diferentes elementos. Pode ser tóxica, pode ser enebriante, pode ser bela de se ver, pode ser terrificante, pode ser um susto, pode ser um alento. A fumaça pode ser o quiser.
Em alguns temas contemporâneos, a fumaça é sinal de risco. Durante muitos anos, os grandes e poderosos (idéia estranha, poder) jogaram mega toneladas de fumaça tóxica e nociva sobre populações inteiras, criando monstruosidades e grande sofrimento. O que aconteceu a esses poderosos? Nada exatamente. Ah, sim, talvez alguma multa, talvez algum tipo de retratação, algum tipo de responsabilidade assumida de ir mudando as condições para um estado melhor das coisas, já muito deterioradas, dando um tempo aos senhores da indústria. Quem aqui no Brasil não se lembra da terrível história de Cubatão, uma cidade assombrosa? Pessoas sofrendo muito, filhos nascidos incompletos, imprecisos. Um lugar falido pela ação de industriais, poderosos . E esse poder condenou gerações e gerações a um estado irretratável de ser. Não havia tempo que pudesse lhes ser concedido para irem mudando as coisas, pare voltarem a ser o que nunca haviam sido. A fumaça dali lhes deixara uma condição imutável. Pobres gerações.
A fumaça das queimadas também é assombrosa para todo o planeta. Todos sabem disso mais ou menos. Mas mesmo sabendo bem e sabendo muito, muitos plantadores, poderosos ou nem tanto, ainda preferem atear fogo para limpar o terreno, sabendo que essa limpeza resulte em grande sujeira ambiental. Fumaça terrível, condenando todos os povos e todas as gerações, mais ou menos, a intenso sofrimento, a terrível mal estar. E os poderosos? Bem, os poderosos...
Há também a fumaça das drogas. Lícitas ou ilícitas. Sabe-se que a fumaça do simpático cigarro envenenou gerações e gerações de usuários e isso com o claro conhecimento dos poderosos industriais brancos da indústria tabagista, esclarecidos pelo trabalho científico de pesquisadores acadêmicos. O poder do saber servindo ao poder do não-deixar-saber. Mas desde a primeira mordida na maçã, sabemos que aquilo que está velado, seja mais cedo seja mais tarde, irá se revelar. Os cigarros continuam lícitos, só que agora sabemos quão danosos são. Então, o encantado fumante assume sua porção de responsabilidade sobre se quer fumar, quanto e quando.
Fumar sabendo que pode até morrer é uma decisão, às vezes, estética (ah, os românticos e seus vapores), às vezes, política, às vezes religiosa. Sim, até religiosa, ou espiritual, se preferirem. Drogas vaporosas sagradas, colocando pessoas em contato com o divino, abrindo canais para comunicação com outras dimensões (ah, é, cientistas afinal “descobriram”: existem outras muitas dimensões).
Como é enigmática a fumaça, quanto ainda precisamos que se nos revele sobre seu poder, encantador e intenso. Com que gases e com que vapores podemos conviver? Porque viver sem fumaça parece mesmo humanamente impossível. A fumaça dos automóveis já quase não vemos, o que não significa que não estão ali, dissolvendo a atmosfera. A fumaça dos sprays, das fábricas, a fumaça do peido dos gados. Fumaças invisíveis ao nosso olhar, ao nosso limitado poder de ver, mas fumaça mesmo assim. Gases rodopiando noutros gases, desenhando formas no ar, gerando um outro mundo.
Ah, será muito grave ou nenhum pouco sentar ao redor de uma fogueira com um bom punhado de amigos e ver aquela beleza? E acender um incenso? E se vaporizar com delicioso perfume, quiçá français? E conceder a um noviço sacerdote o êxtase de fumar uma erva sagrada? E um cigarrinho, de palha ou do que quiser, um charuto, um cachimbo até, depois de uma jornada de trabalho? O cachimbo da paz, como se usa dizer. Um cachimbo e a paz. Fumaça e contemplação, fumaça e aceitação, fumaça e comunhão.
Ah, fumaça, para onde quer ainda me levar com meu pensamento? Pára, sossega, deixa estar. Devolve-me a ilusão da clareza, do sólido, do concreto, do que se pode tocar. Me deixa quieta. E, já que vai, aproveita e leva contigo um pouco destes pensamentos e espalha no ar. Preciso desanuviar.
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