O que seria de mim sem um automóvel?
O que seria de mim sem estradas, sem ruas, sem avenidas?
O assombroso dilema acometeu-me quando eu burilava meu pensamento mais uma vez sobre o caos no trânsito. Como boa parte dos cidadãos do mundo que vivem em centros urbanos, sei que estamos próximos de algo aparentemente terrível e incontornável no que diz respeito a nossa relação com essa máquina tão querida, o automóvel. Parece que estamos, como acreditam alguns, a um passo de um colapso no trânsito.
Mas apesar disso, apesar de saber isso, apesar de buscar desenvolver certa consciência sobre isso, sobre a inviabilidade desse modo coletivo de vida, eu devo assumir: amo carros, amo estradas, amo dirigir um veículo. Moto, carro, tanto faz; tudo é envolvente ao sabor do vento correndo sobre rodas numa estrada. Amo caminhos, caminhos feitos de asfalto, asfalto liso, deslizante. E sobre esse asfalto, eu, você, todo mundo. Nós, que talvez até já nos cruzamos num desses caminhos, mas sequer nos percebemos, que dirá nos olhar, que dirá nos reconhecer. Nós que não nos vimos porque num veículo na estrada que diferença faz quem segue junto ao longo do caminho? Os carros são encantadores.
Nos caminhos das cidades, nos caminhos cheios de gente correndo, só correndo, poucos se olham, quase ninguém se vê, principalmente quem dirige. E esse é o fascínio maior de um carro, um fascínio sobre quem dirige, o motorista, o piloto, o comandante solitário desta fantástica nau motorizada, metálica, sobre rodas. Ao volante, os olhos encontram outras coisas para o olhar.
O carro é o símbolo de uma era, a era das metrópoles, da industrialização e crescimento descontrolado (eu disse crescimento?!). Era do consumismo como meta de vida. Sabemos que esse modelo dá sinais de cansaço, de falência. Pelo menos esse é um sinal que se pode perceber quando os congestionamentos viraram uma praga na vida urbana. O transporte, que na origem serviria para acelerar o deslocamento humano, aos poucos vai se transformando num monstro gordo, pesado e arrastado. As vias são poucas e também não se pode ocupar todo o planeta com asfalto, não é verdade? Nem com carros.
Poxa, mas justo agora, que comprar carro ficou tão mais fácil que décadas atrás. Ah, isso não é justo. Justo agora que tem até Ferrari desenvolvida para mulheres! O slogan poderia ser assim: “Você ainda vai dirigir uma”. E todas nós poderíamos mesmo dirigir uma, pelo menos em test drive. Hahaha. Que legal, hein? E o que falar dos super baratinhos da Índia. Também quero dirigir um desses.
E aí vem mais dilema: se todo mundo tiver um carro, como vai ficar esse planeta? E ai vêm outras questões: Por que um pode ter carro e outro não? Por que uma pode ter uma Ferrari femina e outra Ferrari nenhuma? Mas...
O carro é o símbolo de uma era, a era das metrópoles, da industrialização e crescimento descontrolado (eu disse crescimento?!). Era do consumismo como meta de vida. Sabemos que esse modelo dá sinais de cansaço, de falência. Pelo menos esse é um sinal que se pode perceber quando os congestionamentos viraram uma praga na vida urbana. O transporte, que na origem serviria para acelerar o deslocamento humano, aos poucos vai se transformando num monstro gordo, pesado e arrastado. As vias são poucas e também não se pode ocupar todo o planeta com asfalto, não é verdade? Nem com carros.
Poxa, mas justo agora, que comprar carro ficou tão mais fácil que décadas atrás. Ah, isso não é justo. Justo agora que tem até Ferrari desenvolvida para mulheres! O slogan poderia ser assim: “Você ainda vai dirigir uma”. E todas nós poderíamos mesmo dirigir uma, pelo menos em test drive. Hahaha. Que legal, hein? E o que falar dos super baratinhos da Índia. Também quero dirigir um desses.
E aí vem mais dilema: se todo mundo tiver um carro, como vai ficar esse planeta? E ai vêm outras questões: Por que um pode ter carro e outro não? Por que uma pode ter uma Ferrari femina e outra Ferrari nenhuma? Mas...
Ah, quem se importa com isso? Quem se importa com isso quando tem na mão um carro e à frente uma estrada? Deixa que morra essa era, quem se importa? Mas enquanto ela vive, a gente segue em frente, easy rider...
Bem, não tão easy, nem tão rider, é bem verdade. O trânsito se torna mais lento, difícil e pesado a cada dia. Estressante, consome uma fatia reluzente de nossas vidas. Por certo que algum estatístico americano ou inglês já teve ter calculado quantos anos deixamos de viver se durante cinco dias na semana, mensalmente, ao longo de 11 meses ficamos uma, duas, três, quatro ou mais horas no trânsito, indo e vindo do trabalho e demais compromissos da vida social contemporânea. Ah, e quem se importa? Estatística é só isso mesmo, estatística, uma contagem. Porque estar ao volante de um carro, mesmo nos congestionamentos, é um valor precioso para este tempo, esta era. Quem se importa?
Bem, eu me importo, juro que me importo, sim. Mas, ai, admito: o que seria de mim sem um carro, uma estrada, um caminho? Um carro e uma estrada para percorrer, easy. Deixa chegar o colapso – que palavra, hein! Deixa que chegue e aí... aí a gente vê o que faz. Afinal, pra que se importar? É tão bom dirigir, dirigir um automóvel, essa máquina bacana, esse pedaço de sonho da humanidade. Se não dirigirmos agora nossos automóveis, faremos o que com nosso sonho do andante motorizado? Um novo sonho para o lugar deste, claro. Mas que sonho?
Ah, quer saber, que me importa? Vou dar uma volta, vou dirigir pra desligar desse assunto. Vou pegar uma estrada, vou andar easy, no meu carro, minha moto, meu ônibus, meu caminhão. Vou deslizar sobre o asfalto, observando, contemplando. Vou pegar uma estrada. Tomara não encontrar engarrafamento no caminho...
Bem, não tão easy, nem tão rider, é bem verdade. O trânsito se torna mais lento, difícil e pesado a cada dia. Estressante, consome uma fatia reluzente de nossas vidas. Por certo que algum estatístico americano ou inglês já teve ter calculado quantos anos deixamos de viver se durante cinco dias na semana, mensalmente, ao longo de 11 meses ficamos uma, duas, três, quatro ou mais horas no trânsito, indo e vindo do trabalho e demais compromissos da vida social contemporânea. Ah, e quem se importa? Estatística é só isso mesmo, estatística, uma contagem. Porque estar ao volante de um carro, mesmo nos congestionamentos, é um valor precioso para este tempo, esta era. Quem se importa?
Bem, eu me importo, juro que me importo, sim. Mas, ai, admito: o que seria de mim sem um carro, uma estrada, um caminho? Um carro e uma estrada para percorrer, easy. Deixa chegar o colapso – que palavra, hein! Deixa que chegue e aí... aí a gente vê o que faz. Afinal, pra que se importar? É tão bom dirigir, dirigir um automóvel, essa máquina bacana, esse pedaço de sonho da humanidade. Se não dirigirmos agora nossos automóveis, faremos o que com nosso sonho do andante motorizado? Um novo sonho para o lugar deste, claro. Mas que sonho?
Ah, quer saber, que me importa? Vou dar uma volta, vou dirigir pra desligar desse assunto. Vou pegar uma estrada, vou andar easy, no meu carro, minha moto, meu ônibus, meu caminhão. Vou deslizar sobre o asfalto, observando, contemplando. Vou pegar uma estrada. Tomara não encontrar engarrafamento no caminho...