Dia destes, falei do escrever, escrever em blog, essas coisas. Falei do leitor, do comentário, do presente, passado futuro. Falei de ter leitores, mesmo que sem comentários, ou poucos. Falei de poder dar-se um tempo, antes de escrever outra vez. Falei e quero falar um pouco mais sobre essas coisas de um blog.
O blog pode ser diário, anuário, semanário, que diferença faz? Se seu autor/autores estão vivos, mortos, se escrevem hoje ontem ou sempre, isso não importa. Quantas obras vão conhecer sua glória anos, às vezes milênios depois de morto ou mortos quem lhes criou? Tudo isso não faz diferença. O blog, a blogosfera é um continuum. Haverá obras raras na grande rede de computadores, obras blogueiras de poucos fruidores. Por que não? Um blog de poucos leitores ao longo dos tempos.
O tempo de leitura na rede pode se prolongar por longos períodos, pois a obra está publicada. É como se Machado de Assis, em seu tempo, tivesse sido blogueiro e fosse escrevendo e publicando direto no blog, e os leitores daquele tempo tivessem deixado algum registro nos comentários. E nós, desse tempo, entrássemos lá para nos deliciar com Machado e também pudéssemos continuar deixando comentários, de todos aqueles conteúdos, até dos escritos de seus leitores. Um blog milenar!
Publicar diariamente não é o fim do blogueiro, ao menos de todo o blogueiro. Se o blog é um blog jornalístico diário, então, precisa manter sua periodicida. Mas se não for essa a finalidade do blogueiro, essa alternativa de publicação pode ser descartada. Talvez, nem haja um fim, uma finalidade para se fazer um determinado blog. Fazer é indispensável, mas não é o fim. Escrever diariamente é o sonho de gerações; quantas pessoas no mundo já não desejaram ser escritor e apenas escritor em sua profissão? O blog favorece isso: enfim, livres dos grilhões de não poder ser escritor e livre para poder sê-lo todo o dia, o tempo todo.
Mas se o tempo estiver curto para ser blogueiro todo dia, seja enquanto puder. Até porque esse suposto blog pode ser apenas um dos campos de expressão daquele que se quer escritor ali. Além de blogueiro, esse escritor pode ser também um escritor burocrático, um escritor científico, um escritor amigo, um escritor fortuito.
Se dê o tempo que precisar para escrever suas linhas. O artista blogueiro precisa reabastecer sua alma para gerar a obra. E quando chega o seu momento de ser escritor blogueiro, mesmo que esse momento seja apenas uma fagulha na eternidade, ele escreve mesmo assim. E nesse breve instante em que seu blog se faz luz, se ali houver um leitor, ainda que raro, sua palavra pode ser lida e, quiçá, comentada. Um blog é escritura para todo o tempo, mesmo quando o tempo de hoje já passou.
2 meses atrás